Sobre espectadores

Você vê uma pessoa fazendo canalhice e, por amizade (ou seja lá qual outra desculpa), não se manifesta. Não está apenas se omitindo. Está servindo de plateia. E servir de plateia para canalha é uma sacanagem. Talvez não tão grande quanto a canalhice que se vê, mas é suficiente para que você não possa se fazer de inocente.

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Considerações sobre virada de ano (2017-2018)

Sobre rojões e bombas: Sei que já passou. Mas eu queria só deixar uma coisa clara sobre comentários contra os fogos que fazem barulho. Quem reclama não está se compadecendo só pelos cães e gatos (como se isso não fosse suficiente, mas vamos lá). Essas merdas também incomodam bebês, idosos, pessoas com necessidades especiais, e muitos e muitos tipos de animais, domésticos ou não. Ok? Então, se você pensa em refutar as críticas com um “que mundo chato, agora a gente não pode nem soltar rojão por causa de cachorrinho de madame”… antes que eu me esqueça, vá tomar no meio do olho do seu cu.

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Você que dá tiro para o alto, para comemorar, avisar, seja por qual motivo… você é um idiota!
Lembro que um vizinho meu tinha a mania de, na virada do ano, ir para a porta de casa e dar tiros para o ar. Eu era criança e pensava “para onde vão as balas?”
Eu era genial? É claro que não! O cara é que era burro pacaray. Afinal, se até uma criança se pergunta isso, como um adulto não?
Hoje de manhã (02 de janeiro), vi a notícia de que uma criança morreu na virada do ano graças a uma bala perdida, provavelmente disparada para o alto (a falta de atendimento tem parte da culpa, mas essa é outra história).
Veja bem:
Quem estoura rojão, bomba e essas merdas que só fazem barulho já demonstram uma certa inconsciência e falta de empatia, mas quem dá tiro pro alto… é de uma burrice impressionante. BURRICE! Pura e simples. Do cano de uma arma sai um projétil. Essa porra vai para algum lugar, seu imbecil. Não se desfaz no ar. E não cai suavemente, viu?

Felicidade

Acredito que o destino de quem busca felicidade em superficialidades e bens materiais é nunca encontrá-la. Talvez ache alguma satisfação passageira, mas nunca sentirá realização, qualquer que seja o nível, da menor à plena.
E acredito também que é por essa busca leviana e tola que se vê tanta gente perseguindo riqueza e outros prazeres descontroladamente, sem limites. E não precisa olhar para um deputado corrupto e sua fome de dinheiro e poder para encontrar isso. Olhe em volta e verá muita gente perdida nessa merda. Gente que você ama. Provavelmente, encontrará essa bobagem até naquela pessoa que olha para você do espelho.
Procure em livros e no Google e em páginas de Facebook, e verá racionalizações, justificativas, teorias e conceitos bem escritos e aparentemente bem fundamentados. Mas é tudo ilusão. É tudo desculpa.
Não acredito que a felicidade seja um sentimento constante, uma chama crepitante que não se apaga. Essa é a felicidade que se busca. E ela não existe.
Para mim, felicidade é uma sensação leve, discreta, que você percebe sentir só quando pensa nela, quando se pergunta “sou feliz?” e a resposta vem suave, como um sussurro. E acredito também que a felicidade está em coisas que não se consegue ver ou mensurar. Está no amor, principalmente. No que você oferece e no que recebe. Está no respeito. No que oferece e no que recebe. Está na simplicidade das coisas e quanto elas são úteis e confortáveis, não necessariamente belas ou novas. Está na complexidade das ideias e desvarios artísticos, não nas marcas.

Tchau, carinha

Sisko, esse carinha aí das fotos, morreu durante a noite. Eu poderia dizer “nos deixou” ou “foi para o céu dos gatinhos” ou outro eufemismo. Mas prefiro encarar isso o mais direta e objetivamente que consigo. Por ele e por mim.
Sisko chegou em casa com quatro meses de idade, trazido por uma das meninas do “Adote um Gatinho”. Lá, chamavam de Chiri. Em casa, trocamos seu nome para Sisko, em homenagem ao personagem Benjamin Sisko, de Deep Space Nine (Star Trek). Ironicamente, ele não tinha qualquer traço da personalidade do comandante Sisko. Desde sempre foi o mais medroso, bonito, carinhoso, bonzinho e escandoloso dos nossos felinos aqui de casa. Teve manias, como todo mundo tem. Gostava de dormir sobre os sapatos, não podia ouvir o barulho daquela lateral das contas sendo picotada e dobrada que já vinha esperar que eu jogasse a bolinha que eu amassava para brincar de pegar. Fazia um escândalo quando um inseto entrava em casa. Até ontem, seu miado parecia de filhote.
Em fevereiro deste ano, teve um tumor. Tiramos e a biópsia disse que era do tipo mais agressivo. Aquele que costuma dar em gatos no local onde se dá injeção. É raro e extremamente agressivo. Para os amigos, eu brincava que morava com uma gata e um gato e meio. Sim, fazer piada ajuda a superar.
Já estamos em novembro e eu estranhava que a doença não voltava. Em todos os casos relatados desse tipo de tumor, não demorou mais que seis meses pra isso acontecer.
Ontem à tarde, o Sisko, do nada, começou a respirar estranho e parou de comer. Foi ao veterinário, que pediu exames específicos para vermos se o câncer tinha voltado. Provavelmente, é o que aconteceu. E fez isso silenciosamente, nos órgãos, especialmente os pulmões. O primeiro tumor só tinha pego pele e músculos, por isso o veterinário conseguiu limpar tão bem e fazer demorar tanto para voltar.
Uma autópsia vai confirmar.
Iríamos levá-lo para a clínica, para raio-x, agora cedo. Não deu tempo. Encontrei-o perto da minha cama. Deitado no chão. Acho que veio morrer perto de mim. Ou talvez estivesse na esperança que eu fizesse seu sofrimento diminuir de alguma forma. Oi foi apenas coincidência, que é o que mais acredito. Era do tipo que, quando doente, preferia se isolar. Acho que a maioria dos gatos é assim, por isso é tão difícil saber quando estão mal.
Sisko tinha 10 anos. Teve uma vida confortável, cercado de carinho, boa comida e a companhia de outros dois gatos, com os quais brincava, trocava lambidas de higiene e calor corporal quando fazia frio. E umas lutas, obviamente. Comeu sempre da melhor ração e teve a oportunidade de uma existência tranquila e segura, fora das ruas, que foi onde nasceu. Mais precisamente, numa estação de trem. Talvez por isso fosse tão medroso.
Acredito que teve uma boa vida.
Já chorei por ele. Não só agora, mas também em fevereiro, quando descobrimos que ele não chegaria a 2018. Venho me despedindo dele desde então, por isso não estou tão zoado. Procuro ser objetivo nessas coisas. Cães e gatos vivem menos que nós. O que podemos fazer é garantir que suas vidas curtas sejam as melhores que pudermos proporcionar. Não vejo meus gatos como filhos. São apenas uma companhia silenciosa e uma responsabilidade que fico feliz em assumir.
Mas é claro que, descontando a objetividade e juntando todo o sentimento… é um pedacinho da minha família que se vai.
Tchau, carinha…

Papo nerd = DC no cinema

O problema da DC no cinema parece ser o de expectativas. Quem considerou o Batman vs Superman uma bosta já tinha expectativas muito baixas sobre Liga da Justiça e ficou satisfeito com o filme morninho e despretencioso que entregaram. Foi meu caso. Mas, convenhamos, se esse filme tivesse sido lançado sem essa baixa de expectativa causada pelo anterior, pelo nome do Zack Snyder* e pela bosta do Esquadrão Suicida, seria escurraçado. Afinal, uma espera de décadas para ver um filminho ok e divertido com alguns dos maiores ícones da cultura pop? Espetacular é o mínimo que se espera…
Tem muitos erros e acertos nessa tentativa da DC/Warner. E esse “equilibrio” não é conveniente para quem quer, no mínimo, igualar com o sucesso da Marvel. Já passou da hora da Warner acertar a mão. Saber como fazer há quem saiba. Não fosse assim, a Warner não produziria as melhores animações.
Só para completar, acertaram na Mulher Maravilha. Só que é um filme ilha no meio de muitos e muitos equivocos.

*Zack Snyder, na minha opinião, é um diretor muito, muito superestimado. É aquela pessoa que te dá um presente muito merda, muito bem embrulhado. Se 300 e Watchmen são interessantes (não digo bons, digo interessantes) é porque o material original é muito bom. E, se você prestar atenção, as intervenções no roteiro são os pontos mais fracos. O que isso diz do diretor? Que é um bom condutor visual, mas que na hora de botar a mão no texto, caga. Sucker Punch, seu trabalho autoral, é um dos filmes mais idiotas que já vi na vida. Duas horas da minha vida que ninguém vai devolver…