Anardeus — Homens e mulheres

Homens e mulheres não se entendem. Mas não é como esses humoristas de palco nu gostam tanto de gozar. Eles só repetem mentiras e anedotas sem graça, para os tolos rirem. Não de suas próprias mazelas, mas das dos outros. Principalmente os mais fracos.

Mulheres não sabem nada sobre nós. Porque nascemos com uma necessidade instintiva de nos escondermos. Para as mulheres, mostramos nosso melhor, durante a maior parte do tempo. Muitas vezes, mostramos nosso pior, nossa monstruosidade. Muito raramente, revelamos nossa verdade. Somos hipócritas. E sabemos que as mulheres também são hipócritas e dissimuladas. A diferença é que sabemos de que maneira, e usamos isso a nosso favor.

Anúncios

Eu e Mephisto

Há muito tempo, li um livro chamado Mephisto, de Klaus Mann. Lembro poucos detalhes, é verdade, mas ele causou grande impacto em minha mente jovem de artista iniciante.
Conta a história de um ator alemão, Hendrik Hofgen, militante do partido comunista, que, com a ascensão do nazismo, mostra que suas convicções moldam-se livremente ao sabor de sua ambição. Em pouco tempo, para se tornar uma estrela teatral, ele abandona e traí amigos e amores. Mephisto, ou Mefistófeles, personagem do poema Fausto (Goethe) é seu papel mais grandioso.
Penso sempre nesse livro quando me deparo com uma situação como eu a que acredito que estamos vivendo.
A isenção política total é uma grande mentira. Somos seres políticos. Para os artistas, por mais que alguns queiram se manter isentos para agradar a todos, para manter seu sucesso e a venda de sua arte, sempre — sempre — haverá um momento em que sua posição será cobrada e uma resposta isenta não será suficiente. Nesses momentos extremos, não só sua arte ou sua popularidade que estarão em jogo. Estes serão preços menores. Será sua alma.
É nessa hora que penso no ator descrito por Mann. Como não quero, jamais, trilhar seu caminho. Mesmo que tantos o façam.
.
Digo isso tudo por causa da nova polêmica que envolve a cantora Anitta e seu “declarado” silêncio sobre #elenao. A comunidade LGBT, base de seu público, sente-se traída. Tem tanto direito a isso quanto ela tem direito a ficar sobre um muro que racha sob seus pés e passos de funkeira.
Ela é um Hendrik Hofgen, que acredita que a isenção garantirá seu Mephisto.
Também pode ser que ela vá votar em vocês sabem quem e sabe que isso é um suicídio de carreira.
Vai saber… Ela tem esse direito também.
Mas, sabem, o que acredito é que arte nem sempre é questão de simplesmente gozar seus direitos. Às vezes, arte significa defender suas convicções do que é certo, resistir e denunciar. Arte não é só curtição…

Minha última, por enquanto

Este post foi publicado originalmente no Facebook:

Estou silencioso, eu sei.
Eu gostaria de manifestar minha opinião sobre o candidato que vocês sabem que abomino. Até para familiares que andei vendo aqui mesmo no Facebook mostrando a mais pura ignorância e apoiando… Viu, primas?
Mas olhem… Venho falando do perigo do crescimento desse merda desde 2016, quando a galera pró impeachment deixou os alucinados fascistas engordarem suas fileiras (para quem não entendeu, refiro-me a neo-nazistas, pró-ditadura, esses doidos). Agora, faltando um mês para eleição, cês correm atrás. Só espero sinceramente que dê tempo.
Gravei um vídeo para o YouTube dizendo que só voltarei a falar disso depois da eleição. Isso, lá no YouTube.
Este aqui é meu último post sobre o “assuntado” aqui no Facebook, pelo menos até depois da eleição.
Já sabemos tudo que o Bolsonaro representa, (ou tenta representar, não por convicção, mas por preguiça e oportunismo, o que é patético, até): Intolerância às minorias sociais, totalitarismo, pró tortura, misoginia, racismo e fobias. E é um apologista da violência.
(E já adianto que não vou perder tempo com quem tenta contrariar tudo isso, porque está tudo devidamente documentado. Portanto, não venha encher o meu saco com papo de merda!)
O que acrescento — embora isso tudo já deveria ser suficiente, mas parece que memória e empatia estão em falta no cardápio brasileiro — é isto: eu lembro muito bem que, no finalzinho dos anos 80, o povo elegeu um outro oportunista. Um bem parecido com o de hoje. Ambos, despreparados e cuzões. Ambos, cachorros correndo atrás de rodas de automóveis que, quando (e se) alcançam, não sabem o que fazer.
Collor pegou um país quebrado e o quebrou mais. “Ah, mas ele abriu importação”, alguém vai dizer, porque alguém sempre diz. Faça o seguinte, caso pense assim: enfie o Lada em seu cu e vá sentar lá no canto para tentar lembrar em que merda estávamos mergulhados nos primeiros anos da década de 90. Como estava a inflação e o sucateamento social? Em que pé estava nossa indústria? Não lembra? Pois refresco sua memória: o Brasil estava na beiradinha do abismo.
Bolsonaro, se eleito presidente, pegará um país em frangalhos. Só que ele não sabe administrar nem banca de limonada. Não tem coragem pra porra nenhuma, apesar de toda a bravata e o circo retórico. E só pensa nele. Isso pra dizer o mínimo. Talvez você pense que o país não pode afundar mais. Pode, e muito.
Bolsonaro simplesmente reúne tudo o que há de mais errado na política e na falta crônica de moral e civilidade de um povo. Num país de politiqueiros merdas, reconheço que há de se admirar sua capacidade para ir ainda mais baixo no nível.
Anexos:
1- Eu não sou tolerante com a imbecilidade. Todos que compartilham conteúdo ou manifestam muito apoio, eu excluo do meu círculo sumariamente. Não estou nem aí. Tirando algumas poucas pessoas que, quando eu tiver oportunidade, vou dar uma boa bronca pessoalmente.
2- não sou, automaticamente, eleitor do PT. Nem da esquerda você pode dizer que sou, porque nunca manifestei minha direção política, e provavelmente nunca o farei. Então, antes de vir falar merda, saiba que te mandarei ir tomar no cu…
3- em quem vou votar? Isso é entre eu, minha consciência e a urna. E não, não falarei de outros candidatos. Já disse e repito: Bolsonaro é um problema humano. Não partidário…

Anjo na gaiola – trecho 2

O livro tem dois pontos de vista. Um, da personagem principal, uma menina de 15 anos que encontra um anjo em seu quintal que a avisa de uma catástrofe que está para acontecer.

O outro é do anjo. Aqui vai um pedacinho da voz dele:

“O cara bebe como um gambá.
Como um gambá…
De onde veio essa expressão? Quem inventou? Eu nunca vi um gambá bebendo álcool. Sei lá. O que sei é que o pai dela bebe pra caramba. Não sei se a bebedeira é sintoma ou causa, só sei que ele pirou.”

gaiola do anjo.jpg

Anjo na gaiola

Já que recebi o certificado de registro de meu novo livro “Anjo na gaiola”, já posso falar um pouco sobre ele.

Mas muito, muito pouco, na verdade…

Está nas mãos da agência que me representa, a Increasy. E isso é tudo que posso dizer neste momento.

É um livro YA (young adult ou jovem adulto, em português). Ou seja, para galera a partir dos 14 anos (mais novos conseguem ler, também).

Quando possível, colocarei uma sinopse aqui.

Por enquanto, vou publicar alguns trechos.

Eis os dois primeiros parágrafos do livro:

“Ontem eu prendi um anjo na gaiola da vovó.
É de latão, cobre e marfim. A gaiola, não o anjo. As grades têm detalhes em forma de parreiras. No topo, folhas e cachos de uvas. A base é cheia de arabescos e mais uvas e folhas. Vovó me deu no meu décimo segundo aniversário. Disse que estava na família desde mil oitocentos e sei lá quanto, e que estava vazia há mais ou menos uns cinquenta anos.”

A ilustração aqui embaixo não é oficial. Só um estudo meu… mas quem sabe…?

ilustra promocional anjo