Evento no dia 14 de julho

Galera, neste sábado, dia 14 de julho de 2018, estarei em um bate-papo junto com outros escritores em um bar na Zona Norte. Vamos conversar sobre literatura fantástica e ler uns trechos dos livros. E é um bar, pô! Então, vai ter bebida, comidinhas e coisitas… Vamos?
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Este é o link do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/639607656391503/

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Covardia

De todas as justificativas de apoiadores de Bolsonaro, a que mais me irrita é: “Ele tem coragem de dizer a verdade”.
Porque:
1 – Uma parte considerável do que ele fala é invenção (para não dizer mentira).
2 – Que verdade? Discurso de ódio? Desde quando são verdades? E desde quando é preciso “coragem”? Não é coragem que impede muitas pessoas a repetir as merdas que ele diz. É vergonha. Porque, nem tão fundo assim, elas sabem que estão erradas.
3 – Torço para o dia em que muitos alcancem maturidade suficiente para perceber que não é coragem o que motiva a carreira de Bolsonaro. Nunca foi, provavelmente nunca será. É justamente o contrário. É a mais pura e simples covardia.

Meu tio quase xará

relogio do vo

Este relógio de bolso tem mais de cem anos. Foi do meu avô paterno. Está comigo há uns trinta. Não funciona. Já mandei consertar umas duas vezes e ele voltou a parar. Resolvi deixar como está.
Quem me deu foi o irmão mais novo do meu pai. Tio Valter. Isso mesmo, quase meu xará, não fosse a diferença da primeira letra.
Até ontem, era o último dos quatro irmãos ainda vivo. Não casou nem teve filhos. Em seus últimos anos, sofreu com as saquelas de um AVC que paralisou toda uma lateral de seu corpo e, ironicamente, deve tê-lo poupado das dores do câncer que surgiu não faz muito tempo.
Quem cuidou dele no final foram as irmãs e as sobrinhas e sobrinhos. Nos últimos dias precisava de oxigênio constante e se alimentava por sonda.
Foi-se esta noite. Cada um crê em um destino para a alma. O que sei dizer é que viveu, conseguiu inspirar amor na família e, agora, descansou. Se há algo depois, e se for do tipo que se tem que merecer para ir para um bom lugar, então é pra lá que ele foi. Porque ele fez por merecer.

Crise – Oportunidade ou perda de tempo?

Já tenho idade suficiente para poder dizer que vi mais de uma crise. Sinceramente, não tendo a concordar plenamente com alguns representantes da imprensa, que insistem em dizer que esta que vivemos é a maior desde a abertura. Acho que dizer isso é subestimar a merda que passamos durante os governos Sarney e, principalmente, Collor… Mas, convenhamos: estamos bem perto disso…
Não gosto nem quero falar sobre as origens do que estamos testemunhando. Não que não seja importante, muito pelo contrário. Mas acredito que precisaremos de um distanciamento histórico para analisar o mecanismo que nos fez chegar a isso. Uma análise o mais isenta possível (porque isenção total não existe). Hoje, ainda há muito rancor e análises históricas não funcionam bem sob esse tipo de influência.
Este post, no entanto, não é sobre isso.
É sobre uma reflexão. Sobre como se diz que crise é igual a oportunidade. Mais do que uma frase de auto-ajuda, é uma verdade. Um fato… Mas também uma afirmação incompleta. Esquecemos de dizer que crises geram oportunidades, mas para poucos.
A maioria de nós apenas luta para sobreviver a elas. Se a vida consiste em vencer uma batalha por dia, em época de crise, parece que temos que vencer uma guerra por dia. E contra nenhum inimigo que se possa apontar. Guerreamos contra a vida, para simplesmente continuarmos nela.
Não é a toa que isso nos dá uma sensação de perda de tempo. Estamos em crise, efetivamente, palpável, desde 2014. Não sei você, mas praticamente não vi os anos passarem até agora, 2018. Foi um pulo. Fechei os olhos num ano e acordei no outro, lutando para sobreviver.
Claro que, talvez, minha crise pessoal tenha influenciado em minha percepção. Mesmo assim, acredito que essa sensação é compartilhada.
A maior vítima de nossa luta pela sobrevivência é nosso prazer em viver…
E assim vamos vivendo, perdendo tempo. Não sou fã de crises, por mais oportunidades que elas possam oferecer.

Babaquices

Sobre os vídeos dos brasileiros que gastaram uma grana para irem até a Rússia para agirem como moleques babacas, algumas considerações gerais:
1- Acho incrível como as pessoas não sabem pedir desculpas. Por que dizem “a quem se sentiu ofendido”? É como se a culpa da ofensa fosse do ofendido. Gente, saiba: quando você tentar se desculpar, não use o “por você ter se ofendido”. É o mesmo que dar um murro na cara da pessoa e dizer: “desculpe por sua face ter atingido minha mão”. Já aviso que, se um dia alguém se desculpar desse jeito comigo, mando ir tomar naquele lugar na hora…
2- O mundo não está mais chato. Para de falar isso. As pessoas sempre tiveram essa opinião sobre piadas e brincadeiras babacas. O que acontece diferente de quando você acha que o mundo não era chato é que não existia internet nem redes sociais para as repostas às suas brincadeiras e piadas babacas receberem respostas diretas. As pessoas sempre te acharam babaca. A informação só não chegava até você.
3- Fazer alguém que não sabe sua língua falar bobagem, gravar isso em vídeo e botar em rede social: jura mesmo que em nenhum momento te passou pela cabeça que não era uma boa idéia? Então, você precisa muito, muito mesmo, rever seus valores de vida e sua forma de se portar frente à sociedade.
4- Eu acho interessante como pessoas que fazem babaquices batem no peito para dizer que, quando crianças, aprenderam a ter casca grossa, chamam os outros de mimados e fracos… Cara, se você faz uma babaquice dessas quando adulto, é sinal que, quando criança, você não recebeu educação nenhuma em casa. O mimado é você! Se eu fizesse uma merda dessas quando moleque, meu pai teria me dado uma bronca que eu ficaria um mês com vergonha de sair na rua (meu pai nunca me bateu, quem sabe inspirar respeito não precisa levantar a mão).
5- “Ah, mas se fossem mulheres fazendo isso com um cara, levando ele a dizer que tem pinto pequeno, ninguém falaria nada…” Em primeiro lugar, você já viu isso? Na boa, vamos convir, homem tem uma vocação bem maior para fazer babaquice… Em segundo lugar, o nome desse argumento falacioso é Falsa Simetria.

Amor

Desculpas aos adeptos de frases motivacionais, mas não consigo mesmo entender as tais: “você tem que se amar, em primeiro lugar”, ou “o amor mais importante é o que tem por si”…
Meu… Eu já me amo há um bom tempo.
Quer saber?
Eu realmente não acho que o grande problema hoje seja a falta de amor próprio. Acho que é excesso de amor por si e falta de amor pelos outros.