Anjo na gaiola

Já que recebi o certificado de registro de meu novo livro “Anjo na gaiola”, já posso falar um pouco sobre ele.

Mas muito, muito pouco, na verdade…

Está nas mãos da agência que me representa, a Increasy. E isso é tudo que posso dizer neste momento.

É um livro YA (young adult ou jovem adulto, em português). Ou seja, para galera a partir dos 14 anos (mais novos conseguem ler, também).

Quando possível, colocarei uma sinopse aqui.

Por enquanto, vou publicar alguns trechos.

Eis os dois primeiros parágrafos do livro:

“Ontem eu prendi um anjo na gaiola da vovó.
É de latão, cobre e marfim. A gaiola, não o anjo. As grades têm detalhes em forma de parreiras. No topo, folhas e cachos de uvas. A base é cheia de arabescos e mais uvas e folhas. Vovó me deu no meu décimo segundo aniversário. Disse que estava na família desde mil oitocentos e sei lá quanto, e que estava vazia há mais ou menos uns cinquenta anos.”

A ilustração aqui embaixo não é oficial. Só um estudo meu… mas quem sabe…?

ilustra promocional anjo

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Reflexões de final de Bienal

Sábado (11 de agosto de 2018) foi meu último dia de Bienal. Questiono bastante a decisão da organização de deixar que o último dia caia justamente no domingo, dia dos pais. Mas… ei… é só um questionamento. Vamos ver o que os números dizem, no final. Isso é o que importa.

(Editado: No final das contas, o movimento no domingo foi muito baixo, mesmo!)

Mas o que tenho a dizer não é algo tão trivial quanto resultados de vendas ou coisas do tipo.
Eu percebi algo lá. Aliás, a Bienal tem sido um ponto de transição de vida pra mim. Não que a mude, mas tornou-se um ponto de referência. E não só a de São Paulo.
Não vou aqui listar todas as mudanças que ocorreram, nem como eu consigo usar as Bienais como referência, porque se tornaria um post ainda mais chato e eu teria que expor muita coisa da minha vida que simplesmente não quero…
Mas o que aconteceu ontem foi interessante.
Eu estava sentado no chão, perto do espaço para expositores, com a Catarina brincando em redor e sobre mim… E, em um determinado momento, refleti sobre algumas mudanças que estão acontecendo nos últimos dias.
Algumas decisões, também.
Espero, sinceramente, que eu possa vir aqui e em outros canais que mantenho cada vez menos, mas com mais novidades interessantes. Com mais projetos saindo do limbo.
A crise travou o mercado e as publicações, é verdade. Mas quando se diz que crise é igual a oportunidade, não é apenas um discurso demagogo. Pode ser bem real.
Esta Bienal, para mim, foi ainda mais fraca que a primeira, em 2010. Lá, eu tinha um livro, exposto em um estande razoavelmente grande da editora e todo o tempo do mundo para apresentá-lo. Faltava experiência. Mostro, com orgulho, a marca de 12 livros vendidos! Um fracasso. Mas um fracasso do qual me orgulho, porque superei, nos anos seguintes.
Mas hoje, 8 anos depois, tive a presença de espírito (da qual me orgulho, sem falsa modéstia) de encarar um outro tipo de fracasso. Calma, não é o que vocês pensam… Meus dois livros da Giz não estavam em lugar nenhum que eu saiba. A Giz não participou da Bienal. E não fiz questão de pedir para que procurássemos um lugar. Como Tatuagem estava no estande da Record. Haviam trazido poucos e esgotaram na sexta. Os livros de colorir, também. Certeza de que passei aquela marca dos 12 de 2010, mas não encarei esta Bienal como uma oportunidade de divulgar meu trabalho como nas outras vezes. Sinto-me, no entanto, num momento de recomeço. E tenho certeza de que é o mesmo que está acontecendo com a Giz. Ela sobreviveu e, agora, tem tudo para se recuperar.
E o legal disso tudo é que não é um recomeço do zero.
A Giz tem tradição e reconhecimento. Tem tudo para levantar, limpar a poeira e assumir seu devido lugar no mercado. O que depender de mim, ela terá.
Eu, como escritor, sei que conquistei meu lugar de respeito e tenho carinho de vários e várias leitoras e sei que de vários e várias colegas. Honestidade, empenho e profissionalismo valem à pena, sim!
E acredito não só no que faço, mas como faço.
Estou aqui. E aqui ficarei!
.
Foi mais ou menos isso que pensei, enquanto Catarina subia em meus ombros…

Colher

Negar que ainda vivemos em uma sociedade machista é cegueira ou mau caratismo.
Ainda se tem que ensinar as meninas a gritarem “fogo” e não “socorro” ou afins quando precisa de ajuda. Não deveria ser assim. Mas é. Porque, ainda hoje, leva-se a sério a expressão “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Pois mete-se sim! Aquela moça que foi jogada do quarto andar, por exemplo. Não venha me dizer que ela teve todas as oportunidades para sair daquele casamento. Você não está na pele dela, nem na de milhares de mulheres que vivem relacionamentos abusivos. Você não faz ideia, então, sobre isso, não palpite.
Mas dá para ver, pelas filmagens, que houve muito tempo e oportunidade para que, pelo menos naquele episódio, alguém interferisse. Nem precisava encarar o cara. Bastava chamar a polícia. No entanto… “em briga de marido e…” E todos se calaram e esperaram para cuspir sua indignação nos depoimentos à perícia…
E assim é no resto do país. Até país e mães acreditam que “em briga de…” e nada fazem para proteger suas filhas.
.
“Ah, mas tem homem em relação abusiva e é assassinado pela mulher, também…”
Tem. Mas proporcionalmente muito, muito menos. Então, não meta a colher em post que está falando sobre problemas gerais com seus argumentos toscos e de falsa simetria…

Indolência

Copiado do dicionário online:
“Significado de Indolência
substantivo feminino Qualidade de indolente; condição da pessoa sem ânimo nem força física; preguiça, morosidade.
Falta de sensibilidade, incapacidade para sentir dor.
Condição da pessoa indiferente, que se coloca acima dos sentimentos; que não sente; impassibilidade, indiferença.
Em que há ou demonstra indiferença; de maneira apática; distanciamento.”
.
Procurei em outros lugares. Em nenhum é sinônimo de “saber perdoar”. Portanto, o mais provável é que o general chamou os índios de preguiçosos e os negros de malandros, mesmo…
Ah… e foda-se que ele é descendente de qualquer uma dessas etnias. Pra mim, isso é agravante.