Minha vida no teatro – 5

Sobras e As aventuras de Thoim
Eu e a amiga Dulcinea Rebello, que já mencionei na postagem sobre os anos Catarse, tivemos duas aventuras paralelas dignas de registro próprio. Nas duas, agi como roteirista e co-produtor.
Na primeira, escrevi uma peça chamada “Sobras”. O texto falava sobre uma prostituta, amante de um poeta guerrilheiro que esperava o término da ditadura para se vingar de um general que a torturara. Chegamos a montar elenco, mas não conseguimos aprovar a montagem na Lei Rouanet. Desistimos. O que, pensando bem, foi para melhor. O texto tinha problemas que não vêm ao caso. Devidamente sanados e com um ajuste na história, adaptei o texto e ele se tornou o conto “A Dama e O Poeta”, um spin off de Cira e que foi meu único trabalho exportado (até agora) e está presenta na nova edição de Cira e o Velho. Uma curiosidade: para o papel da protagonista, tínhamos fechado com a atriz Zaira Bueno, musa das pornochanchadas nos anos 70/80. Conheci pessoalmente. Linda.
A segunda peça chegou a entrar em cartaz. Escrevi em parceria com Luciano de Abreu. Também fizemos parte do cenário e adereços. Chamava-se “As aventuras de Thoim” e era uma peça infantil musical sobre um Jack in the box que ganhava vida e cantava sobre ecologia e saúde.
Essa deu muita dor de cabeça. Para começar, o diretor que contratamos era uma fraude. Faltava menos de dois meses para estreia e, quando fomos assistir ao que ele tinha… nada mais do que algumas ideias, uns exercícios de laboratório e uma batida para uma música. E já tinham quebrado um dos bonecos.
Resultado: mandamos o cara embora (ele diria que se demitiu).
Conseguimos ajuda da diretora do Catarse, a Cidinha Peppe, para terminar as músicas e a montagem e estreiamos. Foi bem bacana, no final das contas, mas o clima quase desmoronado não nos inspirou a continuar com o projeto depois da primeira temporada. Acho que duas das atrizes ainda tentaram levar adiante, mas eu não quis nem saber.
Depois disso, dei aulas, como já disse, na escola do Catarse. Quando me afastei novamente, foi o final de minha vida no teatro.
Por enquanto….

O cartaz, obra minha.

Cira – 10 anos

Dia 22 de julho fez exatamente 10 anos que lancei a primeira edição de “Cira e o Velho”.
Aconteceu na livraria Martins Fontes da avenida Paulista.
Cira é uma aventura pela história e pelo folclore brasileiro e marca o início de minha aventura no mercado editorial. É o livro pelo qual mais lutei e luto, até hoje. Porque acredito no potencial de meu trabalho, antes de tudo, e desta obra, em especial. Não obstante, é meu livro mais vendido (sem contar os de colorir, claro, que passaram a casa dos 50 mil).
A trajetória do manuscrito até virar livro está cheia de detalhes e pequenas aventuras, mas a maioria só é interessante para mim e quem esteve por perto. De relevante a destacar:

  • quando procurava uma editora independente com a qual publicar, encontrei um exemplar da Kaori numa livraria e copiei o telefone da Giz, para entrar em contato. Hoje, eu e Giulia Moon somos amigos e editores um do outro (ela editou Anardeus, eu, Flores Mortais).
  • tive que aprender a vender o livro na bienal do livro, abordando as pessoas. Tenho minha opinião sobre isso, mas fica para outro post. Pessoalmente, não sei dizer se melhorei muito minha abordagem. Acho que não. Mas eu me esforço…
    Cira e o Velho já tem uma edição nova. Toda reescrita. Afinal, dez anos fazem diferença no estilo de um escritor. Especialmente os primeiros. Mas essa edição só está disponível na loja da Sisko.

Minha vida no teatro 4

Catarse
Eu trabalhava na MBC, uma agência de propaganda que ficava na Vila Prudente. Isso foi em meados de 1996. Uma amiga do dono da agência, Dulcinea Rebello, pediu ajuda para montar o material promocional de uma peça que estava produzindo. O dono da agência assumiu como um patrocínio e me colocou como diretor de arte.
A partir de então, fiquei amigo da galera do grupo Catarse e trabalhamos juntos por anos e em diversos projetos. Nunca mais subi ao palco. Foi minha fase por trás das cortinas, fazendo cartazes, ajudando na montagem de projetos para apoio.
Tivemos uma história longa, eu e Catarse. Eles montaram uma escola de teatro qua permaneceu durante um bom tempo. Aqui em Sampa e um tempo em Guaratinguetá, numa casa que alugaram de minha mãe. Eu já era casado quando dei aula também, de produção e criação de cenário e figurino.
Curiosidades:

  • durante uma temporada em cartaz do Pátria Amada, salve-se! Salve-se! Fiquei na cabine, responsável por soltar o som.
  • o filho de Gianfrancesco Guarnieri participou da montagem de Zumbi e fez questão de aparecer em destaque em todo o material. Foi bem chatinho e virou um material difícil de defender.
  • no último endereço em que a escola esteve, já em 2012, se não me engano, fiz uma reunião para discutir algumas coisas que estavam rolando no meio literário. Especialmente um coach picareta. Fosse hoje, eu nem me mexeria. Na época, achei que tinha que me posicionar. Amadurecer é um processo contínuo…
Este cartaz é do meio dos anos 90. Feito todo em vetor (Corel draw). Um dos que mais gosto.
Capa do folheto impresso para a peça. Exigência do filho do autor, que participava do elenco: foto com destaque. No miolo, ele aparece em página inteira, sozinho.

O elenco da peça e os diretores: Jefferson Gimes e Cidinha Peppe.

Minha vida no teatro 3

As aventuras de Teodorico Raposo
(quando eu tiver achado alguma foto, colocarei aqui e no Instagram)
Para superar minha frustração com o fiasco que acabou sendo a montagem da peça de Plinio Marcos (leia o post anterior), resolvi retomar um projeto incompleto. Peguei uma adaptação que o amigo Marcelo Toledo fez de “A relíquia”, de Eça de Queiroz e reescrevi, transformando numa comédia absurdamente escrachada, bem ao estilo anos 80/90. Dei o nome de “As aventuras de Teodorico Raposo”. Montamos, eu e Manogon Manoel Gonçalves e levamos para um festival em Itaim Paulista.
Foi uma ótima forma de encerrar minha curta carreira de ator amador.
Apresentamos a peça, se não me falha a memória, em 4 lugares diferentes. No Itaim, recebemos elogios e algum reconhecimento do pessoal do festival. Não levamos nenhum prêmio, mas a galera curtiu.
Voltamos ao teatro do Senai (lembra do post sobre Faroeste Caboclo?), onde usei a estratégia da puxadora de risada para ampliar o efeito. Fiz questão que a amiga Mônica Bortolossi estivesse presente para contaminar o público com sua risada.
Também fizemos uma apresentação na casa de cultura Mazaroppi, que fica no Brás.
Foi bem legal esse período. Ensaiamos a peça numa escola em Guaianazes, perto da casa do Manoel, durante as tardes de domingo. Ainda lembro com saudosismo das minhas viagens até lá.
A peça, essa eu jamais remontaria. Estava cheia de piadas horríveis, estilo Zorra Total e Praça é nossa. Mas foi muito divertido. Era na concentração dessa peça que eu colocava Metallica pra pilhar a galera antes de entrar no palco. E dava certo! Pessoal entrava inspirado.
Coincidiu o final da temporada com a morte do meu pai. Ele tinha curtido bastante a montagem. Minha mãe diz que ele se acabou de rir na primeira vez a que assistiu. Ele gostava de comédias. Então, pra mim, foi bastante marcante essa experiência.
Eu tinha 22 anos. Só fui voltar a me envolver com teatro uns dois anos depois, se não me engano. Nunca mais como ator.

O elenco
O programa.
A cena final

Bicho

Em um intervalo de menos de dez dias, os bichos de Brasília se rebelaram

Primeiro, um esquema de tráfico de animais, em especial, serpentes, montado por estudantes de veterinária de classe média alta, foi descoberto graças a uma cobra naja, que picou o traficante e o mandou para a UTI. Um dos cúmplices tentou se livrar da cobra abandonando-a dentro de uma caixa, perto de um shopping center. Tudo isso aconteceu no DF. Está dando um trabalhão para os funcionários do zoológico tratarem a cobra. Não sendo nativa, tinha pouco soro no Butantan. Mas ela já virou estrela de memes na internet.

Depois, o despresidente tentou alimentar as emas que vivem no Palácio do Planalto. Tomou uma bicada. Detalhe: ele está em quarentena por coronavirus… que ninguém acredita que ele pegou agora, já que tem um estoque de 80 anos de cloroquina pra justificar e desovar, e é mais provável que ele já tenha pego em março, junto com a delegação que trouxe a doença dos EUA…