Youtubers jabazentos

Um bando de youtubers recebeu grana do governo Temer para elogiar a reforma do ensino médio. Veja o caso aqui.
Gravaram vídeos elogiando, sem dizer que era opinião paga (por si, ato anti-ético).
Já vi mais de uma pessoa defendendo os “meninos” por serem novinhos e os caralhos. Ou porque esse é um país capitalista e mercado livre e essas porras todas.
Vou começar pelo segundo argumento.
Defender oba-oba capitalista sem freios ou respeito à ética e, depois, sair pra rua ou gritar nas redes sociais ou bater panela contra corrupção são atos completamente contraditórios. É como um assaltante reclamar que não dá pra sair à noite porque tem medo de ser assaltado. Quem produz conteúdo, seja em jornal, revista ou internet, tem SIM que observar uma conduta ética. E ela é básica. Recebeu para falar de algo? No mínimo, avise que aquele conteúdo é pago. Fim de papo! Não vou ficar aqui discutindo o sexo dos anjos, essa porra é básica. Que tenha um monte de gente ferindo essa base não é argumento. O erro de um grupo não justifica. E, pelamor, não venha com papo de que as relações comerciais digitais são diferentes… honestidade não muda tanto em tão pouco tempo…
Vou só acrescentar uma explicação básica, já que tenho contato com muitos blogueiros e para evitar mal entendido. Receber um livro, um serviço ou qualquer outro produto para ser avaliado não é (na maioria das vezes) jabá. Livro, pelo menos, não é mesmo. É CONTEÚDO. Há décadas as redações de jornais e revistas recebem exemplares de livros para avaliar. A maioria já era e, agora, mais ainda, descartada, enviada para sebos. Eu mesmo enviei meu primeiro livro, Cira e o Velho, para várias redações de jornais, revistas e até rádios. Tive resposta de um jornal, e foi iniciativa deles, porque avaliaram o livro e se interessaram. Isso não é jabá, ok? Quando blogueiros recebem livros das editoras, não é, de forma alguma, pagamento por boas resenhas. Jabá é como já aconteceu comigo, quando eu ainda fazia o PsychoComics no Youtube. Enviariam um exemplar para divulgação e queriam me pagar R$ 500,00 pelo vídeo. Aceitei o livro mas recusei o jabá.
Sobre os ataques pessoais aos “meninos”. Isso é um pouquinho mais complicado, reconheço. Posso responder pelo meu lado. E vou me apropriar de um discurso que muitos desses vlogueiros já devem ter usado para justificar sua homofobia: critica-se a corrupção do sistema, não o corrupto… (er, mais ou menos…)
A verdade é que vivemos um momento histórico atípico (algum não foi?). Quando eu era moleque, devo ter falado muita bosta. A diferença é que não era nada fácil um moleque se tornar celebridade e, pior, influenciar opinião de uma quantidade significativa de outros moleques. Hoje, a internet liberou geral. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Um efeito colateral da democracia é você perceber que existem muitos idiotas no mundo. Umberto Eco tinha alguma razão…
Ainda assim, a democracia ainda é o melhor caminho. E democracia significa que as pessoas podem questionar e criticar e serem questionadas e criticadas. O fato dos garotos terem sido investigados e seus tweets racistas, misóginos e homofóbicos antigos (por que não apagaram, já que mudaram de opinião?…) terem sido divulgados é consequência desse momento de ajuste das relações de fama que são novidade pra gente. Talvez eles não pensem mais assim (duvido), talvez eles estejam amadurecendo (duvido, também)… Mas, lá atrás, escolheram se manifestar de forma grotesca. Eram moleques, concordo, mas escolheram isso. Ora, algum poder de escolha eles têm! Não tinham consciência suficiente sobre as consequências ou o teor do que falavam?
Posso até concordar (mais ou menos). Mas e seus pais? Ninguém prestava atenção ao que eles manifestavam na internet, esse mural para o mundo? Sinto muito! Qualquer babaquice que eles falem é reflexo do que os pais ensinam dentro de casa. Pelo menos, na imensa maioria. Imensa, mesmo…
E, agora, uma agência paga pelo governo perpetua uma prática anti-ética (jabá) e escolhe os porta-vozes pelo número de inscritos nos canais, não pelo conteúdo ou postura já demonstrados.
jabba
Se bem que, convenhamos, a prática de jabá não atrai gente com caráter lá muito sólido…
E não podemos questionar isso?
Por que seria um ataque pessoal aos “meninos”?
Sinto muito por eles. Torço para que eles aprendam algo de realmente bom com isso (duvido). Mas é aquilo: Não sabe brincar, não desce pro playground, e o conselho vale para os pais dessas celebridades mirins. Se seu filho não deveria estar brincando no playground, cadê vocês que não prestaram atenção?
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