Tchau, carinha

Sisko, esse carinha aí das fotos, morreu durante a noite. Eu poderia dizer “nos deixou” ou “foi para o céu dos gatinhos” ou outro eufemismo. Mas prefiro encarar isso o mais direta e objetivamente que consigo. Por ele e por mim.
Sisko chegou em casa com quatro meses de idade, trazido por uma das meninas do “Adote um Gatinho”. Lá, chamavam de Chiri. Em casa, trocamos seu nome para Sisko, em homenagem ao personagem Benjamin Sisko, de Deep Space Nine (Star Trek). Ironicamente, ele não tinha qualquer traço da personalidade do comandante Sisko. Desde sempre foi o mais medroso, bonito, carinhoso, bonzinho e escandoloso dos nossos felinos aqui de casa. Teve manias, como todo mundo tem. Gostava de dormir sobre os sapatos, não podia ouvir o barulho daquela lateral das contas sendo picotada e dobrada que já vinha esperar que eu jogasse a bolinha que eu amassava para brincar de pegar. Fazia um escândalo quando um inseto entrava em casa. Até ontem, seu miado parecia de filhote.
Em fevereiro deste ano, teve um tumor. Tiramos e a biópsia disse que era do tipo mais agressivo. Aquele que costuma dar em gatos no local onde se dá injeção. É raro e extremamente agressivo. Para os amigos, eu brincava que morava com uma gata e um gato e meio. Sim, fazer piada ajuda a superar.
Já estamos em novembro e eu estranhava que a doença não voltava. Em todos os casos relatados desse tipo de tumor, não demorou mais que seis meses pra isso acontecer.
Ontem à tarde, o Sisko, do nada, começou a respirar estranho e parou de comer. Foi ao veterinário, que pediu exames específicos para vermos se o câncer tinha voltado. Provavelmente, é o que aconteceu. E fez isso silenciosamente, nos órgãos, especialmente os pulmões. O primeiro tumor só tinha pego pele e músculos, por isso o veterinário conseguiu limpar tão bem e fazer demorar tanto para voltar.
Uma autópsia vai confirmar.
Iríamos levá-lo para a clínica, para raio-x, agora cedo. Não deu tempo. Encontrei-o perto da minha cama. Deitado no chão. Acho que veio morrer perto de mim. Ou talvez estivesse na esperança que eu fizesse seu sofrimento diminuir de alguma forma. Oi foi apenas coincidência, que é o que mais acredito. Era do tipo que, quando doente, preferia se isolar. Acho que a maioria dos gatos é assim, por isso é tão difícil saber quando estão mal.
Sisko tinha 10 anos. Teve uma vida confortável, cercado de carinho, boa comida e a companhia de outros dois gatos, com os quais brincava, trocava lambidas de higiene e calor corporal quando fazia frio. E umas lutas, obviamente. Comeu sempre da melhor ração e teve a oportunidade de uma existência tranquila e segura, fora das ruas, que foi onde nasceu. Mais precisamente, numa estação de trem. Talvez por isso fosse tão medroso.
Acredito que teve uma boa vida.
Já chorei por ele. Não só agora, mas também em fevereiro, quando descobrimos que ele não chegaria a 2018. Venho me despedindo dele desde então, por isso não estou tão zoado. Procuro ser objetivo nessas coisas. Cães e gatos vivem menos que nós. O que podemos fazer é garantir que suas vidas curtas sejam as melhores que pudermos proporcionar. Não vejo meus gatos como filhos. São apenas uma companhia silenciosa e uma responsabilidade que fico feliz em assumir.
Mas é claro que, descontando a objetividade e juntando todo o sentimento… é um pedacinho da minha família que se vai.
Tchau, carinha…

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