Solo

Ainda acredito que a maioria das pessoas age como uma raposa quando falam da nulidade de suas vidas amorosas. Na fábula, a raposa que não consegue alcançar as uvas as declara verdes e azedas. O mesmo fazem os solitários e solitárias com suas frases “antes só do que mal acompanhado”, ou “eu me basto”, ou “o que importa é amar eu mesmo/a”.

Vivi com minha família até os trinta, quando montei uma família nova. Hoje, depois dos 45, pela primeira vez, moro sozinho (a companhia felina não conta). E não tenho restrição em dizer: não curto nada.

Não que eu possa fazer algo a respeito. Quer busque companhia, quer não, o resultado tem sido o mesmo: fracasso. Então, se o esforço e o ócio têm o mesmo resultado, a lógica manda escolher a economia de energia, recursos e tempo.

Claro que é vê alguns casos pós divórcio. Quem nunca? Mas quase todos me fizeram lembrar uma metáfora que Frank Miller colocou em seu “Daredevil”. Ali, ele comparou a relação vazia de seu personagem com uma cliente com uma tentativa frustrada de parar a hemorragia com papel de seda.

Não gosto da solidão, nem me entrego à hipocrisia aveludada da raposa. Talvez, se ao invés de camuflarmos a dor da falta de amor com as famigeradas frases de auto-amor, assumíssemos e nos abríssemos ao que realmente importa, haveria mais espaço para o amor de verdade. E talvez parassemos de usar tanto papel de seda.

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