Um futuro?

De mim, a pandemia tirou meses de convívio com minha filha. Tirou algumas oportunidades de negócios. Tirou um pouco da liberdade. Tirou um pouquinho da esperança na humanidade.
Sou privilegiado.
De muitos, a pandemia tirou o emprego, os sonhos, a empresa. Tirou o que mais importa: vidas. De parentes, amigos, de conhecidos e de colegas. De pessoas que eram admiradas de longe. De pessoas que pareciam que jamais se ausentariam. Tirou essas pessoas sem direito a velório nem a luto. Arrebatadas.
De alguns, a pandemia tirou as máscaras. Revelou a podridão de suas almas. É só você olhar com um pouquinho de atenção e apurar o olfato. Esforce-se. Você vai sentir o cheiro.
O que ela deu em troca? Caminhos? Pistas?
Não sei. Tenho miopia temporal junto com a espacial. Talvez um futuro que apenas continue a copiar o passado, como já dizia o poeta.
Mas não perdi toda a esperança. Apenas um pouco dela. Porque, se me reconheço privilegiado, também reconheço meu dever de merecer e agradecer esse presente. Seja lá quem o tiver me dado.

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