Redes

Quem acompanha meus perfis nas redes sociais, em especial o Facebook, vai notar algo peculiar. Apaguei meus posts críticos, com exceção de cartuns e ilustrações, e tudo que publiquei antes de 2019.

Tenho algumas razões para isso, que vou compartilhar aqui.

Primeiro, e mais importante, não sou mais aquela pessoa. Vejo meus posts de 2013 (um segundo antes de apagar) e não reconheço aquele Walter. O que havia ali? Que problemas enfrentava? Que frustrações destilava? Não sei. Não importa. Foram apenas passos para chegar aqui.

Se não sou mais aquela pessoa, para que deixar registro online de tolices com as quais talvez nem concorde mais, ou expressões que não repetiria? Chega.

Em segundo, porque eu, como a maioria das pessoas, usava as redes para expressar frustrações e críticas. Pra quê? Para ter concordância dos iguais e pregar a ouvidos surdos dos que discordam? Isso é gasto de energia. Chover no molhado. Dar murro em ponta de faca, e todas essas expressões que significam o mesmo: perda de tempo.

As redes existem para aproximar os iguais e fechá-los em bolhas. Não para promover melhoria, informação e diversidade. Não sei se era a intenção de seus criadores no começo (eles dizem que não), mas graças aos algoritmos comerciais, é para isso que passaram a servir. Quem acredita que a Terra é plana, recebe cada vez mais posts sobre isso, é ligado a quem compartilha essa tolice, é estimulado e estimulada com mais e mais desinformação. Eu que vivo em um planeta esférico nem recebo esse tipo de informação. O mesmo ocorre em todos os outros aspectos de nossa vida, nossa crenças, nossas frustrações, nossas preferências. A inteligência artificial por trás do Facebook, do Instagram e do Twitter e o Google sabem muito sobre você. E usam isso de forma fria e cruel, como um super-psicólogo psicopático.

E o principal: os algoritmos aproximam você de quem concorda com suas ideias e suas crenças. Então, quando me manifesto, pode-se dizer que prego aos já convertidos.

Por último: estou cansado. Acredito que vivemos sob um governo psicopata, desmiolado, incompetente e desvairado. Mas ele não está lá à toa. Bolsonaro é um retrato. Ele representa muitos brasileiros. A maioria dos homens brasileiros acima dos 30 (brancos, principalmente, mas não exclusivamente), são exatamente como ele. Fariam o mesmo se estivessem em seu lugar.

O atual despresidente é um incomodo e vergonhoso auto retrato.

E estou cansado de ser lembrado disso diariamente. Não faz bem à saúde mental.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s