Perguntas sobre quarentena

Pedir pra galera ficar em casa com hastag é ok. Concordo plenamente.
(Embora: “fica em casa, caralho!” já demonstre o tom da coisa, mas sigamos).
Mas tenho algumas dúvidas: alguém lembrou de falar isso pros empresários, os empregadores, o pessoal que paga salário?
Porque tá meio complicado ver campanha em rede social pedindo pra gente ficar em casa e saber que, se não for trabalhar, a maioria de nós arrisca o emprego do qual depende. Ou diminui a renda minguada do sub-emprego. A curva de contaminação será achatada onde, exatamente? Em que classe social? Quem não consegue fazer esse tal home office, faz como? O pequeno e micro empresário, o dono de comércio pequeno? O entregador de comida por aplicativo? O motorista de táxi, balconista, padeiro, ambulante? A diarista? Aquele camarada que vende queijo na porta dos escritórios, todo dia em frente a um prédio diferente? O jornaleiro? As pessoas que contam o dinheirinho semana por semana, que não tem gordura financeira para fazer quarentena voluntária? Vocês têm resposta para todo mundo? Para a maioria da população,  aliás? Acho que não… também não tenho.
Válidas todas as manifestações de cuidado, as campanhas de rede social. Não peço que parem. Quem sou, para isso? Mas lembrem a insuficiência, para minguar seus anseios justiceiros. Imperfeição é a única certeza humana.

Se não se levantar um pouco a mira dessas campanhas, direcioná-las aos donos das decisões, à galera da grana, a efetividade some. Ou, no mínimo, mostra nosso constraste social, nossa diferença de classe. Nossas fronteiras.

Na França, eles impuseram que as pessoas ficassem em casa… sossegadas porque receberão seus salários e direitos.
Aqui, fizeram reformas trabalhista e previdenciária para tirar direitos… foi há pouquíssimo tempo, lembra? E a crise de emprego continua firme e forte. Como se faz? Pede-se ao trabalhador que fique em casa? Não  seria melhor pedir ao empresário que feche as portas por duas semanas? Ele pode? Vai perder dinheiro ou deixar de ganhar?

E o medo? Que fazer com ele quando as mortes começarem? Evitar que, num trem lotado, o coitado que engasgou com saliva e tossiu não seja linchado?

Crédito da foto: El pais.

Lançamento de Anjo na gaiola

No dia 14 de março, lancamos meu quarto livro “Anjo na gaiola”. Também fizemos o lançamento oficial da editora Sisko.

Muito mais gente do que eu esperava apareceu. Afinal, estávamos à beira do inicio da curva ascendente da epidemia de coronavirus no Brasil. Tivéssemos marcado alguns dias depois, teríamos adiado. Mas decidimos tomar todas as medidas de segurança cabíveis e fomos em frente.

Foi um sucesso. Vendemos quase toda a tiragem e as pessoas maravilhosas que compareceram tiveram a chance de confraternizar e se divertir. Sempre com a segurança que o momento pedia.

Anjo na gaiola

Está chegando…

Exato um mês para o lançamento de meu quarto livro, Anjo na gaiola.

Algum ineditismo em relação aos três outros lançamentos:

  • Não farei na Martins Fontes. Preferimos levar o evento para um bar. O Exquisito, que fica na Bela Cintra. Eu já conhecia, mas fizemos um reconhecimento e conversamos com a gerência no comecinho de fevereiro. Tem ambiente familiar, cardápio bom, atendimento simpático e decoração latino-americana. Casa muito bem com o clima do livro.
  • Também terei as segundas edições de Cira e o Velho e Anardeus lá, além de marcadores dos três livros. Obs.: gostaria de ter o Como tatuagem, mas não consegui pegar a um preço viável na editora (Verus). Então.
  • E, por falar em editora, os três livros levam o selo da Sisko!
  • Também teremos alguns ímãs a preços promocionais.

Espero realmente que você compareça. Afinal, lançamento meu é coisa bem rara, se você reparar… foram só quatro em 10 anos de carreira…

Até agora, claro…

convite anjo

A Sisko

Acho que já chegou a hora de contar a novidade.

Final de 2019, Rita disse que tinha sonhado com o Sisko. Mais precisamente, com a imagem que tinha visto dele em fotos, afinal, Sisko morreu em novembro de 2018. Não deu tempo de ela conhecê-lo. Uma pena. Teria gostado dele.

No sonho, ele sorria como o gato de Alice e tinha polegares opositores, com os quais manipulava um lustre azul.

Ei… não me pergunte. Sonhos são assim. E nem era um meu!

Ela fez sua própria interpretação. Disse que era o nome que deveríamos dar à nossa editora. Aquela sobre a qual conversáramos há algumas semanas.

Achei a ideia muito boa.

O logo foi muito mais fácil de criar do que se costuma. O que parece outro sinal de que estamos no caminho certo (se você acredita nesse negócio de sinais…).

Detalhes burocráticos à parte, a editora ganhou seu CNPJ e código de ISBN em janeiro. A tempo de marcarmos o primeiro lançamento, do meu quarto livro, e da editora em março. As redes sociais já estão funcionando.

Então, se você está lendo este texto, inscreva-se no Face ou no Insta, ou nos dois. E já acesse nosso site.

https://www.facebook.com/siskoeditora/
@Sisko_editora (Instagram)
http://www.sisko.com.br

Nossa intenção inicial é publicar meus livros. Mas não vamos parar por aí, claro. Pretendemos incentivar a literatura nacional, publicar o que precisa e merece ser publicado, contribuir, lutar, resistir. Temos nossos códigos de conduta e vamos segui-lo. Temos nossa forma de trabalhar e vamos nos concentrar nela. Temos nossos sonhos e vamos mirar neles. Acreditamos que a honestidade a nossos valores faz toda a diferença em qualquer mercado.

Sisko chegou.

A força da lei

Lei nº 7716, de 1989:
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

Caso você precise da força da lei para denunciar alguém que esteja fazendo propaganda nazista.

Um trecho de Anjo na gaiola

E meu novo livro está pronto. Só mais alguns detalhes legais e outras coisinhas. Será lançado agora, em 2020, espero, no primeiro semestre.

Capítulo 2

Menina, segunda-feira, 11 de abril

Passei o final de semana entrincheirada no quarto. Nenhuma novidade até aqui. Faço isso quase sempre. O anjo dormiu o tempo todo. Não era exagero quando disse que cair do céu dava sono. Acordava de vez em quando, soltava um suspiro musical, trocava de posição e já deitava de novo.
Adiantei o trabalho de Geografia, fiz maratona de Sense 8 na Netflix e escrevi mais três capítulos da minha fanfic de Harry Potter. Estou escrevendo uma história em que ele vem para o Brasil, já velho, junto com o filho e o neto, para investigarem um saci cibernético. O neto se apaixona por uma bruxa brasileira adolescente de cabelos negros, encaracolados, e bochechas maiores e altura menor do que ela gostaria. Como eu. Publico num blog e tem bastante acesso. O pessoal comenta, dá sugestões de como seguir com a trama, elogiam e xingam. Ignoro tudo. Quem não gostar, que vá fazer sua própria fanfic. É o que digo para a Kátia e pro Lucas. Mas é mentira. Fico toda cheia com elogios e quero morrer com as críticas ruins. Sei que não passam de haters, mas machuca igual. Já teve quem dissesse que eu deveria publicar em livro. Respondo que não sei nem por onde começar. E pra quê? Emprestei a ideia de outra pessoa, por diversão. Não sei. Não parece justo. Quando tiver a minha própria ideia — se um dia tiver — talvez pense nisso. Talvez. Se. Tem mesmo muitos talvezes e muitos ses na minha vida. Uma vez até comentei isso no Twitter. Um carinha lá da escola respondeu que vida de adolescente é assim mesmo e que era para eu parar com mimimi. Concordei com a primeira parte e bloqueei ele por causa da segunda. Mimimi é o nariz dele.

anjo na gaiola - ilustra 1

Muito texto

Vocês ironizam o lance do Bolsonaro sobre livros didáticos terem muito texto, como se fosse uma idiotice óbvia.
Mas esquecem que o número de analfabetos funcionais no Brasil é absurdamente grande (a última vez que vi, batia os 70%). Ou seja, temos a grande probabilidade de que 70% dos brasileiros não só não vejam (nem entendam) suas ironias, como também concordem com o que ele disse.