Colher

Negar que ainda vivemos em uma sociedade machista é cegueira ou mau caratismo.
Ainda se tem que ensinar as meninas a gritarem “fogo” e não “socorro” ou afins quando precisa de ajuda. Não deveria ser assim. Mas é. Porque, ainda hoje, leva-se a sério a expressão “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Pois mete-se sim! Aquela moça que foi jogada do quarto andar, por exemplo. Não venha me dizer que ela teve todas as oportunidades para sair daquele casamento. Você não está na pele dela, nem na de milhares de mulheres que vivem relacionamentos abusivos. Você não faz ideia, então, sobre isso, não palpite.
Mas dá para ver, pelas filmagens, que houve muito tempo e oportunidade para que, pelo menos naquele episódio, alguém interferisse. Nem precisava encarar o cara. Bastava chamar a polícia. No entanto… “em briga de marido e…” E todos se calaram e esperaram para cuspir sua indignação nos depoimentos à perícia…
E assim é no resto do país. Até país e mães acreditam que “em briga de…” e nada fazem para proteger suas filhas.
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“Ah, mas tem homem em relação abusiva e é assassinado pela mulher, também…”
Tem. Mas proporcionalmente muito, muito menos. Então, não meta a colher em post que está falando sobre problemas gerais com seus argumentos toscos e de falsa simetria…

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Indolência

Copiado do dicionário online:
“Significado de Indolência
substantivo feminino Qualidade de indolente; condição da pessoa sem ânimo nem força física; preguiça, morosidade.
Falta de sensibilidade, incapacidade para sentir dor.
Condição da pessoa indiferente, que se coloca acima dos sentimentos; que não sente; impassibilidade, indiferença.
Em que há ou demonstra indiferença; de maneira apática; distanciamento.”
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Procurei em outros lugares. Em nenhum é sinônimo de “saber perdoar”. Portanto, o mais provável é que o general chamou os índios de preguiçosos e os negros de malandros, mesmo…
Ah… e foda-se que ele é descendente de qualquer uma dessas etnias. Pra mim, isso é agravante.

Não passarão. Eu, passarinho

Sabe… estou há oito anos circulando nesse meio literário e vendo coisas e conhecendo pessoas. Já deu para ver e corrigir muitos erros (e abrir espaço para novos). Mas, principalmente, tive tempo para sacar qualé que é de muita gente. Aliás, meu pai me ensinou a farejar picaretas. Só precisava de um tempo para recalibrar meu olfato.
Eu não caio mais no papo de zé ruela, maluco, cuzão e canalha. Já tive minha cota…

Promoções

Sabe… a imensa maioria das coisas nesta vida tem dois lados (ou mais). Por um lado, é bacana encontrar vários livros a 5 ou 10 reais. Por outro, vale a reflexão: qual o histórico daquela tiragem? E da editora que publicou? Por que aquele livro foi parar ali, àquele preço? Por que teve uma tiragem enorme e que permitiu isso? Por que já teve o tempo de se pagar com o que foi vendido a preço mais alto? Por que encalhou? Por que a editora está mal e precisa recuperar dinheiro para não falir? E lembre que cada um desses motivos, e muitos outros, acontecem. É… a vida não é simples, eu sei…

E, para deixar claro, não que eu esteja julgando sua escolha de compra, ok? Muito longe disso. Só digo isso tudo como uma lembrança triste da crise que enfrentamos. Estamos todos no mesmo barco, vivendo muitas e muitas histórias.

100%

Entrei no estande da Record ontem para mostrar onde estava o #ComoTatuagem para a Cat. Tava cheio de gente. Não consegui alcançar o canto. Uma moça viu a dificuldade e ajudou, dando um exemplar pra Cat. Aproveitei e disse que eu era o autor e para ela dar uma olhada. Enquanto saía — não dava pra ficar lá dentro, muito cheio — vi o filho dela levando meu livro pro caixa. Até agora, então, tenho 100% de aproveitamento. Todos os livros que ofereci (um), vendi….

Eu e a Bienal do Livro de SP 2018

Sei que, desde que comecei minha carreira literária em 2010, com #CiraEOVelho, digo que a Bienal é meu evento preferido. Principalmente a de São Paulo.
Não entendam o que vou dizer de forma negativa, por favor…
Mas vejam bem: Meus livros lançados pela Giz podem estar em algum ou alguns estandes. Não sei qual ou quais, desculpem. Ambos estão em seus estertores de primeira edição. Cira já está acabando e eu tenho uma edição nova, preparada para ser lançada assim que for conveniente. Anardeus também já está em seus momentos finais. Já tenho uma nova edição em Kindle e vou preparar uma nova edição para imprimir. Depois de Cira.
#ComoTatuagem tem no estande da Record. Mas não é lançamento, então não é conveniente eu ficar lá no estande vendendo. Só atrapalharia a circulação e trabalho dos vendedores. Se você ainda não tem seu exemplar, passe lá para comprar o seu. Prometo que a leitura vai valer cada centavo…
Digo tudo isso para explicar por que, pela primeira vez desde 2010, não estarei presente na Bienal todos os dias. Muito menos em algum estande. Visitei hoje, sexta-feira. Encontrei alguns amigos e amigas. Assisti a um evento. Está bonita e interessante, como sempre. Visite. Prestigie! A literatura brasileira, principalmente, está precisando de sua força, agora, mais do que nunca.
Devo voltar algum dia da semana, novamente sem compromisso.
Não entenda o que digo como apatia ou tristeza. Não é nada disso. É um momento de reflexão, de retorno, de recarga. Não desisti, podem ter certeza. Logo, logo, sei que começarei a anunciar novos projetos e eventos. E, sobre a Bienal, espero que, em 2020, eu volte aqui ou em outra rede social para dizer onde estarei assinando um livro novo, em que estande darei plantão para conversar, trabalhar e vender.
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Porque estou de pé! Estive deitado por algum tempo… Mas não mais.