Chegamos lá e adiante

Então… já chegamos à marca oficial (fora a subnotificação) de mais de mil mortes POR DIA por covid-19.

Significa, que em pouco mais de três dias, meu caro Caio Copolla, morrerão mais pessoas no Brasil do que gente que se engasga com comida nos EUA, já que você gosta desse tipo de comparação absurda.

Significa, senhor Roberto Justus, que no mesmo período, devem morrer bem mais pessoas do que a quantidade de funcionários de suas empresas. Incluindo aí os participantes dos Aprendizes que você apresentou.

Significa, menino carequinha da Havan, que até o fim deste mês, só dessa “gripezinha” vão morrer bem mais brasileiros do que você ameaçou demitir.

Significa, senhores prefeitos e governadores, que só dessa doença, POR DIA, morrem mais pessoas do que qualquer tragédia que tenha comovido os brasileiros nos últimos anos.

Significa, senhor presidente, que sua inércia e preocupação apenas com seu cargo e seus privilégios, leva a esse número diário não só das mortes mas também do desemprego, da desesperança, da fome, da miséria.

Significa, amigos brasileiros, que estamos colhendo os frutos de más escolhas, do ódio acrítico, da tolerância com a violência, o preconceito e a ignorância. Que dar voz à imbecilidade, como se fosse um joguinho divertido, sem consequências.

E colhemos os frutos de más administrações anteriores, sim. Mas, agora, com um distanciamento que mistura todas elas num mingau histórico com o a qual se deveria aprender a evitar, não a cometer todos os mesmos erros de uma vez! Não tente negar a responsabilidade direta de quem está com o poder agora, com acusações a esse ou aquele passado. É outro tipo de negacionismo. Chega disso!

Lamento apenas que, como nação, ficou claro que o brasileiro precise sofrer extremos para entender o básico.

As histórias de meus livros – Cira e o Velho

Em 2010, depois de superar a frustração de publicar uma HQ (o fracasso é culpa minha e só minha), aventurei-me numa nova publicação. Primeiramente, tinha planejado fazer outra HQ. Mas no meio do processo percebi que a história se encaixaria melhor em prosa. Foi basicamente assim que nasceu Cira. Uma aventura para viver a aventura de voltar a publicar.
A inspiração para a história veio de minha admiração pelos trabalhos de Robert E. Howard, Tolkien, Neil Gaiman e Jorge Amado. Parece até contraditório que tantos autores de origem anglicana tenham inspirado uma obra tão brasileira quanto Cira, mas pelo menos três desses autores têm uma característica forte em comum. A admiração pela própria cultura.
A princípio, eu havia planejado fazer com Cira algo como em Conan. Um mundo compacto, que mostrasse culturas variadas, todas representantes de nações reais. Minha ideia era, basicamente, transformar a cultura brasileira numa espécie de mundo paralelo.
Não demorou para que eu percebesse que seria uma bobagem e um desperdício.
A história e a mitologia brasileiras são tão ricas. Só são pouco exploradas.
Lancei o livro em 2010, em plena onda vampiresca capitaneada por crepúsculo. Recebi reações das quais, hoje, tenho distanciamento suficiente para rir.
Mas Cira prevaleceu. Até hoje, é meu livro mais vendido.
E do qual me orgulho.
Pela Sisko, lancei uma segunda edição. Com o olhar de um autor com dez anos de experiência, agora, com estilo mais robusto, menos enganos, mais convicção.

Na história, a bruxa Guaracy tem uma filha com o poderoso cobra Norato. Cira é seu nome. Um espírito livre, passional, destemido. Ainda criança, é vitima de uma trama nefasta arquitetada por sua tia, Maria Caninana.
Sobrevivente de um massacre, cabe a ela buscar vingança contra o paulista Domingos Jorge Velho.

A nova edição tem notas de rodapé, glossário e bibliografia, além do conto A Dama e O Poeta, que conta uma história de Nhá, a companheira de aventuras de Cira.

Você encontra a versão para kindle na Amazon. A versão impressa vai com dedicatória e marcador de páginas, mas está à venda apenas no site da Sisko.com.br

Sortudo

Acho que descobri o problema do brasileiro: confiar na sorte. Seja qual for a probabilidade.
O cara é pobre, ferrado, vende o almoço para pagar o jantar, mas sabe por que ele é contra a taxação de grandes fortunas? Pelo motivo que ele não assume: acha que, se um dia virar milionário, não vai querer pagar esse imposto. Porque ele acha que essa possibilidade existe. Mesmo que só 1% da população brasileira é rica.
Mesma coisa que faz a galera furar quarentena. Já que 80% não apresenta sintomas ou tem sintomas leves, ele COM CERTEZA estará nesses 80%. Isso SE pegar.
Brasileiro precisa começar a ser um tico mais pessimista. Mas pessimista de verdade, não aquele que faz piada, mas no fundo acha que vai ficar tudo bem.
Um pouco de pessimismo faz a gente se movimentar. Mudar, ir atrás.
É como o arrependimento.
Não acredite em quem diz que você não deve se arrepender de nada. É o arrependimento, a vergonha, a culpa que fazem a gente perceber que fez bobagem e aprender a não cometer o mesmo erro.

Desabafo

Este texto foi publicado no Facebook, em 6 de maio de 2020. Eu o copiei aqui porque foi apagado na rede social. Não houve outro motivo que não fosse evitar rotulação pelo algoritmo do Facebook.

 

Este é um textão de desabafo. Pule, se quiser. Até recomendo.
Quem me conhece, sabe que sou crítico não à candidatura ou presidência deste que aí está. Há muito, sou contra sua existência. Pelo menos na vida pública.
Por mim, nem deputado ele seria. Na verdade, nem síndico.
Mas aí está. Que fazer? Há muito o que fazer, mas parece que os limites da sociedade brasileira estão absurdamente elásticos, quiçá nem existam mais, já tenham sido arrebentados.
Que fazer?
Eu tenho uma teoria para explicar a situação em que nos encontramos. (Leve em consideração que não tenho formação acadêmica para essa teoria. Na verdade, uma hipótese).
O despresidente é um psicopata. E esqueça aquele conceito Hannibal Lecter de psicopata genial. Existem muitos psicopatas por aí. Pouquíssimos têm o charme de Lecter. Pouquíssimos mesmo. Aliás, poucos são assassinos como ele. A maioria é apenas oportunista, mentirosa e destruidora. E mantém pessoas das quais se alimentam (no sentido figurado) como reféns de seus desejos e necessidades. E essas vitimas, enquanto tal, os defendem, brigam por eles, prestam-se a papéis que não fariam se estivessem em seu juízo.
Parece com o despresidente?
Pois eu acredito que sim. Ele e sua família têm uma parte considerável dos brasileiros como reféns. O resto, assim como os amigos e familiares das vítimas solitárias dos psicopatas individuais, assistem à degradação sem saber o que ou como fazer para se livrar daquele tipo nefasto.
Na maioria dos casos, os psicopatas se cansam e vão embora, deixando um rastro de devastação na vida de suas vítimas. Mas demoram. E a devastação é grande. E as vitimas demoram a pedir ajuda, a perceber onde estiveram, o que deixaram que fosse feito com suas vidas.
Assim como acredito que está acontecendo com o povo brasileiro.
Uma porcentagem, por variados motivos, se tornou vítima de um psicopata (de uma familia deles seria o correto dizer). O resto assiste a tudo boquiaberto e apático. O país caminha para o caos. Não fossem as atitudes de alguns governadores e prefeitos que escolheram se manter no lado correto da História (por oportunismo político, não por índole, não se enganem), estaríamos em situação ainda pior.
Não estou otimista quanto ao que nos espera ali na frente. Não caminharemos juntos. Uma multidão de vítimas ignorantes e inconsequentes forçarão a morte deles mesmos e dos inocentes que serão arrastados.
A crise econômica virá com um peso ainda maior, causado justamente por aquele que vociferava querer preservar a economia. Mentiroso, como todo psicopata. Também preguiçoso e egoísta. Levará o país para um buraco fundo. Muito fundo.
O que fazer?
Não sei. Por isso sugeri que você não lesse este texto.
Estou cansado. Mimhas postagens sobre assunto, se você reparar, sumiram. Não quero mais o algoritmo me qualificando e/ou colocando um alvo em mim. Em breve, este post também sumirá.
Não sou religioso, mas peço a qualquer força que exista no universo, que olhe por nós.
Porque nós não estamos olhando. Somos todos vitimas.

Relógio quebrado

Errar é humano.
E até relógio quebrado dá hora certa duas vezes ao dia.
São duas frases que uso bastante e pelas quais guio muito da minha percepção sobre as pessoas.
Nestes tempos de quarentena, de isolamento, tenho usado com mais frequência ainda.
Os humanos, com sua complexidade e graus variados de defeitos, estão sendo separados dos psicopatas.
Observe.

Six Fan Arts

six

Aqui está minha contribuição. Obrigado a quem comentou.
Desculpem se não fiz todos, pautei-me por visual e relevância.
1- Chicó. O único personagem brasileiro. Se ninguém tivesse escolhido um, o sexto seria Pedro Bala.
2- Doctor. Duas pessoas mencionaram. E sei que muitos dos que me seguem e amigos e amigas são fãs.
3- Fantomas. Esse foi sugerido pelo meu amigo de longa data, o Manoel. E, como ele disse, é pra entregar nossa idade.
4- Storm. Uma das personagens mais interessantes dos X-men. Pra mim, ela nunca foi devidamente explorada nos filmes da Fox. Torço para que isso mude agora, no MCU.
5- Asterix. Há pouco tempo, morreu o desenhista, Uderzo.
6- King Kong. É um de meus personagens preferidos. Louco para vê-lo brigar contra o Godzilla…
#sixfanarts #ilustração #Art #desenho

Perguntas sobre quarentena

Pedir pra galera ficar em casa com hastag é ok. Concordo plenamente.
(Embora: “fica em casa, caralho!” já demonstre o tom da coisa, mas sigamos).
Mas tenho algumas dúvidas: alguém lembrou de falar isso pros empresários, os empregadores, o pessoal que paga salário?
Porque tá meio complicado ver campanha em rede social pedindo pra gente ficar em casa e saber que, se não for trabalhar, a maioria de nós arrisca o emprego do qual depende. Ou diminui a renda minguada do sub-emprego. A curva de contaminação será achatada onde, exatamente? Em que classe social? Quem não consegue fazer esse tal home office, faz como? O pequeno e micro empresário, o dono de comércio pequeno? O entregador de comida por aplicativo? O motorista de táxi, balconista, padeiro, ambulante? A diarista? Aquele camarada que vende queijo na porta dos escritórios, todo dia em frente a um prédio diferente? O jornaleiro? As pessoas que contam o dinheirinho semana por semana, que não tem gordura financeira para fazer quarentena voluntária? Vocês têm resposta para todo mundo? Para a maioria da população,  aliás? Acho que não… também não tenho.
Válidas todas as manifestações de cuidado, as campanhas de rede social. Não peço que parem. Quem sou, para isso? Mas lembrem a insuficiência, para minguar seus anseios justiceiros. Imperfeição é a única certeza humana.

Se não se levantar um pouco a mira dessas campanhas, direcioná-las aos donos das decisões, à galera da grana, a efetividade some. Ou, no mínimo, mostra nosso constraste social, nossa diferença de classe. Nossas fronteiras.

Na França, eles impuseram que as pessoas ficassem em casa… sossegadas porque receberão seus salários e direitos.
Aqui, fizeram reformas trabalhista e previdenciária para tirar direitos… foi há pouquíssimo tempo, lembra? E a crise de emprego continua firme e forte. Como se faz? Pede-se ao trabalhador que fique em casa? Não  seria melhor pedir ao empresário que feche as portas por duas semanas? Ele pode? Vai perder dinheiro ou deixar de ganhar?

E o medo? Que fazer com ele quando as mortes começarem? Evitar que, num trem lotado, o coitado que engasgou com saliva e tossiu não seja linchado?

Crédito da foto: El pais.

Lançamento de Anjo na gaiola

No dia 14 de março, lancamos meu quarto livro “Anjo na gaiola”. Também fizemos o lançamento oficial da editora Sisko.

Muito mais gente do que eu esperava apareceu. Afinal, estávamos à beira do inicio da curva ascendente da epidemia de coronavirus no Brasil. Tivéssemos marcado alguns dias depois, teríamos adiado. Mas decidimos tomar todas as medidas de segurança cabíveis e fomos em frente.

Foi um sucesso. Vendemos quase toda a tiragem e as pessoas maravilhosas que compareceram tiveram a chance de confraternizar e se divertir. Sempre com a segurança que o momento pedia.

Anjo na gaiola

Está chegando…

Exato um mês para o lançamento de meu quarto livro, Anjo na gaiola.

Algum ineditismo em relação aos três outros lançamentos:

  • Não farei na Martins Fontes. Preferimos levar o evento para um bar. O Exquisito, que fica na Bela Cintra. Eu já conhecia, mas fizemos um reconhecimento e conversamos com a gerência no comecinho de fevereiro. Tem ambiente familiar, cardápio bom, atendimento simpático e decoração latino-americana. Casa muito bem com o clima do livro.
  • Também terei as segundas edições de Cira e o Velho e Anardeus lá, além de marcadores dos três livros. Obs.: gostaria de ter o Como tatuagem, mas não consegui pegar a um preço viável na editora (Verus). Então.
  • E, por falar em editora, os três livros levam o selo da Sisko!
  • Também teremos alguns ímãs a preços promocionais.

Espero realmente que você compareça. Afinal, lançamento meu é coisa bem rara, se você reparar… foram só quatro em 10 anos de carreira…

Até agora, claro…

convite anjo