Cira chora

Por muitos motivos, foi uma ilustração difícil de fazer. Não pela técnica. Pelo conteúdo.
Foram muitos os sentimentos envolvidos. Raiva, frustração, tristeza… cheguei a chorar.
Não usei Cira para fazer propaganda ou divulgação.  Ela é minha personagem. Como tal, um canal de expressão de meus sentimentos, de minha revolta, de meu discurso.
Como eu, Cira chora pelas vidas que estão queimando e se extinguindo, pela ganância de poucos, que são protegidos por mentiras.

Palmas para malucos

O que vejo é a ascensão do idiota, a escalada da ilógica, o pisoteio da cidadania. O ser humano, com sua infalível e onipresente arrogância, achou divertido dar voz aos babacas e bater palmas para os malucos dançarem, crente que todos compartilhariam sua visão crítica e sua diversão. Mas que ser humano é esse? Apenas um punhado preso em uma bolha, que apresentarei em seguida.
Deu-se espaço aos fascistas, aos maníacos, aos tolos. Chegou-se ao cúmulo até da Terra plana, centro do universo (como se homenagear algoz já não fosse suficiente e, sim, boto todos no mesmo balaio). Os discursos toscos encontraram eco em ouvidos despreparados, de cidadanias pouco desenvolvidas, de mentes abandonadas à própria sorte e a desejos do ter e do ser.
As redes sociais têm culpa, sim. Com seus algoritmos vendedores, aproximaram mentes distantes, mas estreitaram laços convergentes, e criaram milhares de bolhas planetárias. Cada qual com sua lupa e objetiva, para filtrar a realidade.
Lá fora, no mundo real, é tudo quase um sonho. Não demora, será pesadelo.
Eu digo chega.
Chega de dar ouvidos a absurdos.
Chega de violentar a democracia com brados contra ela. Chega de sombra.
Pra mim, chega. Meus olhos e ouvidos estão fora da bolha, agora.
Fora da…
Imagino se
Estamos na caverna que Platão descreveu? Talvez. Os gregos já sabiam muitas coisas, muito antes…
Inclusive que a Terra é redonda.