Um rótulo? Talvez…

Não estudei em universidade pública. Fiz o fundamental (na época, chamava-se primário e ginásio). O segundo grau, fiz num Senai (pré Fernando Henrique, que desmantelou a importância social da instituição e que o Lula nunca recuperou). Técnico em artes gráficas. Na faculdade, estudei jornalismo. Na São Judas, no campus da Mooca.
E foi ali que mais encontrei aquele tipinho mau humorado, que não sabia debater, nem questionar, embora o fizesse ambas as coisas com frequência, mas sempre com alguma oratória e nenhuma lógica, muito menos humildade ou mesmo simples cordialidade. Era adorador de teorias conspiratórias malucas (se o terraplanismo fosse popular na época, seria seguidor). Sua alma ardia secretamente com ódio por tudo o que não conseguisse entender. Geralmente, esse tipo de cara tinha pouquíssimos amigos, tirava notas médias e enchia o saco dos professores. Sabia tudo, e não aprendia nada.
Geralmente, não conseguia passar no vestibular para faculdade pública, então ia parar na privada. Se conseguia, passava poucas e boas na pública, onde sua inteligência medíocre e sua lógica fragmentada e frágil não encontrava abrigo.
Não gosto de rotular, mas desconfio que o atual ministro da educação devia ser um desses, quando mais jovem. Agora, deve estar querendo se vingar.