Um rótulo? Talvez…

Não estudei em universidade pública. Fiz o fundamental (na época, chamava-se primário e ginásio). O segundo grau, fiz num Senai (pré Fernando Henrique, que desmantelou a importância social da instituição e que o Lula nunca recuperou). Técnico em artes gráficas. Na faculdade, estudei jornalismo. Na São Judas, no campus da Mooca.
E foi ali que mais encontrei aquele tipinho mau humorado, que não sabia debater, nem questionar, embora o fizesse ambas as coisas com frequência, mas sempre com alguma oratória e nenhuma lógica, muito menos humildade ou mesmo simples cordialidade. Era adorador de teorias conspiratórias malucas (se o terraplanismo fosse popular na época, seria seguidor). Sua alma ardia secretamente com ódio por tudo o que não conseguisse entender. Geralmente, esse tipo de cara tinha pouquíssimos amigos, tirava notas médias e enchia o saco dos professores. Sabia tudo, e não aprendia nada.
Geralmente, não conseguia passar no vestibular para faculdade pública, então ia parar na privada. Se conseguia, passava poucas e boas na pública, onde sua inteligência medíocre e sua lógica fragmentada e frágil não encontrava abrigo.
Não gosto de rotular, mas desconfio que o atual ministro da educação devia ser um desses, quando mais jovem. Agora, deve estar querendo se vingar.

Palmas para malucos

O que vejo é a ascensão do idiota, a escalada da ilógica, o pisoteio da cidadania. O ser humano, com sua infalível e onipresente arrogância, achou divertido dar voz aos babacas e bater palmas para os malucos dançarem, crente que todos compartilhariam sua visão crítica e sua diversão. Mas que ser humano é esse? Apenas um punhado preso em uma bolha, que apresentarei em seguida.
Deu-se espaço aos fascistas, aos maníacos, aos tolos. Chegou-se ao cúmulo até da Terra plana, centro do universo (como se homenagear algoz já não fosse suficiente e, sim, boto todos no mesmo balaio). Os discursos toscos encontraram eco em ouvidos despreparados, de cidadanias pouco desenvolvidas, de mentes abandonadas à própria sorte e a desejos do ter e do ser.
As redes sociais têm culpa, sim. Com seus algoritmos vendedores, aproximaram mentes distantes, mas estreitaram laços convergentes, e criaram milhares de bolhas planetárias. Cada qual com sua lupa e objetiva, para filtrar a realidade.
Lá fora, no mundo real, é tudo quase um sonho. Não demora, será pesadelo.
Eu digo chega.
Chega de dar ouvidos a absurdos.
Chega de violentar a democracia com brados contra ela. Chega de sombra.
Pra mim, chega. Meus olhos e ouvidos estão fora da bolha, agora.
Fora da…
Imagino se
Estamos na caverna que Platão descreveu? Talvez. Os gregos já sabiam muitas coisas, muito antes…
Inclusive que a Terra é redonda.